Rota Monumental

Em 25/03/2026, tive a oportunidade de presenciar o lançamento do Rota Monumental, um projeto piloto que funcionará no Distrito Federal com um ônibus 100% movido a hidrogênio verde, o primeiro ônibus comercial do Brasil movido a hidrogênio verde, em um trajeto turístico que percorrerá os principais cartões postais da capital federal, unindo inovação, turismo e sustentabilidade. E mais, será totalmente gratuito.

O evento ocorreu na base operacional da Neoenergia Brasília, em Taguatinga, onde está a planta de hidrogênio verde para abastecimento do veículo, primeiro posto de abastecimento veicular a hidrogênio verde do país, que conta com uma usina fotovoltaica dedicada com 220 módulos bifaciais alimentando a estação.

No contexto de um projeto de P&D, a Neoenergia adquiriu o veículo da TEVX Motors Group, que inaugura sua operação em Brasília com o piloto. O ônibus elétrico, notavelmente silencioso e que tem aproximadamente 350km de autonomia com uma recarga, é equipado com uma célula de combustível que utiliza hidrogênio gasoso em reação com o oxigênio do ar. Essa reação gera eletricidade para alimentar o veículo, oferecendo uma solução de mobilidade sustentável e isenta de emissões de gases poluentes, liberando apenas água pelo sistema de escape.

A água utilizada no processo de abastecimento, antes de ser submetida à eletrólise, passa por três filtros para desmineralização, chegando a um nível de pureza muito próxima à água utilizada em hospitais. A estação conta com um tanque de armazenamento de 12m3, que equivale a cerca de uma semana e meia de autonomia. Visto que o hidrogênio é explosivo, parte das instalações operam em uma área murada, capazes de trabalhar em ambientes inflamáveis. Ao final, obtém-se o chamado hidrogênio 6.0, uma forma de hidrogênio ultrapuro, com pureza superior a 99,9999%, pois o ônibus precisa receber um insumo sem impurezas.

Entre as vantagens do H2V em relação ao elétrico está no tempo de recarga, aproximadamente 10 minutos, enquanto o de um ônibus puramente elétrico levaria de uma hora e meia a duas horas para ser recarregado. Este aspecto tem grande repercussão na logística de garagem. Por outro lado, os ônibus a hidrogênio são mais caros que os puramente elétricos, tanto em termos de custo de aquisição quanto de energia e infraestrutura. A eletrólise é mais cara que a eletricidade, que se pode comprar no mercado livre a preços muito menores. Para o abastecimento do hidrogênio, a mangueira conecta-se ao veículo por infravermelho para maior precisão e segurança.

A estação dispõe também de uma sala de controle, onde são monitorados pressão, temperatura, vazão, pureza, parte elétrica, entre outros aspectos da operação.

Viabilizando a Mobilidade Elétrica no Brasil - AcoplaRE

No dia 19/03/26, pude participar do Workshop "Viabilizando a Mobilidade Elétrica no Brasil", promovido pela Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), pelo Ministério das Cidades e pelo Ministério de Minas e Energia, onde foram apresentados os resultados do Projeto Acoplamento de Setores e Economia Verde (AcoplaRE)’, que apoiou com estudos técnicos cinco localizações brasileiras para eletrificação de ônibus urbanos de transporte público. Um time de consultores de alto nível construiu junto com os territórios os subsídios técnicos, ambientais, jurídicos, econômicos e de transição justa para a aquisição de ônibus elétricos no Espírito Santo, Bahia, Teresina, Rio Branco e Porto Alegre.

Episódio "Os caminhos da Mobilidade Sustentável" no podcast Gazeta Mine.

No dia 03/02/2026 foi publicado o episódio "Os caminhos da Mobilidade Sustentável" que gravei para o podcast brasiliense Gazeta Mine.

No episódio, que contou com a participação do presidente interino, Leonardo Brandão, que participou direto de Minas Gerais, abordamos temas como história, criação e evolução institucional do LEMOB, nossa gestão executiva da PNME, que assumimos em abril do ano passado, as ações empreendidas até então (e.g. contribuições ao Plano Clima, Expedição internacional à Colômbia e Chile, debate com embaixada da Noruega, contribuições com assessorias do Senado Federal, entre outros).

Demos também particular atenção ao 3º CONATRE, edição internacional que acontecerá em 13 e 14 de maio em Brasília, promovendo as diversas rotas tecnológicas rumo a descarbonização da mobilidade.